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Estado de SHOCK

Em meados dos anos noventa, o mundo foi surpreendido e, de certa forma, revolucionado porCK ONE, um perfume que veio não só a marcar uma geração como lançou a tendência dos perfumes unissexo e andróginos.Imagem

A ideia partiu de Calvin Klein ao observar a sua filha e os seus amigos, nos seus hábitos, costumes e estilo de vida. Foi o suficiente. CK ONE rapidamente se afirmou pela novidade do posicionamento, como pela composição que introduziu algumas novidades, apontadas por alguns como a razão do sucesso. Certamente se recordará do seu aroma, pelo que não entrarei em detalhes. O mais importante a recordar é o de uma composição fresca, com uma original nota de chá, aliada a um aromático citrino (bergamota), uma leve nota frutada de ananás e um bouquet de flores (rosa, jasmin e lírio), acompanhados pelo cardamomo e um fundo de madeiras, musgo e âmbar.

Durante muitos anos CK ONE liderou as vendas nos EUA e vários países.

Os anos noventa já lá vão e com os novos tempos, novas vontades o que levou a Calvin Klein a reiventar a proposta ONE e a fazer o trabalho de se actualizar, considerando uma nova geração, com novos hábitos e referências.

Na minha opinião o DNA de CK ONE foi posto em causa a partir do momento que se questiona um dos factores distintivos de CK ONE original, o ser unissexo.

A nova versão de CK ONE apresenta-se numa versao masculina e numa versão feminina, bastante diferentes entre si e menos revolucionários que o seu antecessor.

Com um denominador comum de rebeldia e provocação, CK ONE SHOCK surge numa atitude mais individualista e de menor partilha, numa época em que cada um pensa por si e na sua satisfação pessoal, em detrimento do outro, levada ao extremo e sem limites.

Quanto á versão feminina, CK ONE SHOCK apresenta-se de uma forma bastante impositiva e menos subtil que a versão original. É um floral oriental intenso e teen. Um perfume que num primeiro contacto é bastante evidente o bouquet de flor de maracujá, que lhe dá um toque exótico e frutado, peónia rosa e papoila às quais se juntam o jasmin, a flor de narciso e uma adocicada amora silvestre, mais jovem e intensa. Para reforçar a envolvência e atracção deste perfume, sentimos o chocolate e a baunilha, acompanhados pelo patchuli e o almíscar, que fecham consistentemente esta versão feminina com atitude jovem e independente.

A versão masculina não lhe fica atrás no que toca a impulsividade e intensidade. Devo dizer que que entre as duas, considero a versão masculina uma composição mais própria e interessante.

A tónica oriental é mais notória nesta proposta que a sua companheira.

O perfume abre com uma clementina efervescente e suculenta, acompanhada pelo pepino que não neutralizando o citrino, o acalma e o prepara para o casamento com a lavanda, que lhe dá uma ar “limpo” e arrumado.

Não se pense, porém, que a proposta masculina CK ONE SHOCK é certa e bem comportada. Depois de um início tentador, surge a provocação da pimenta preta e do notável e aromático cardamomo, que se reforça e potencia com o aroma de manjericão preto e do osmanto que lhe dá segurança, consistência e uma nota fresca levemente picante. O final é surpreendente e masculino pela evidência do aroma do tabaco, notas de âmbar, adocicadas e e arredondadas pelo patchuli e o almíscar que fecham a composição com firmeza e sensualidade. CK ONE SHOCK para ele não é um perfume maduro. Diria antes que se posiciona para um público mais jovem que procura deixar uma marca pessoal de expressão própria.

Embora os apaixonados por perfumes não devam deixar de conhecer ambas as propostas e assim sentirem a evolução deste perfume que ficará na história da perfumaria, criado em 1994 por Fabien Barron, não posso deixar de afirmar que acredito que esta versão SHOCK não terá a mesma longevidade de CK ONE, até porque os tempos que vivemos se pautam pela urgência da novidade. O que virá a seguir?

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Se há muitos anos era hábito ir-se a Espanha comprar caramelos, hoje voltamos de novo aos caramelos e Espanha, mas numa nova versão. Pela mão da PRADA e editado pela catalã Puig, aí está PRADA CANDY. Um super caramelo sofisticado, sensual e feminino em versão liquida para se abusar.

PRADA CANDY surge na sequência de uma tendência minimalista da perfumaria, em que a marca decidiu seguir uma abordagem mais forte e intensa. A moda deste verão já tinha ditado algumas tendências com cores fortes, intensas e com grandes contrastes de que foram exemplo as coleções Prada, Fendi e Gucci.

Com esta nova proposta, a PRADA segue a tendência e marca um novo ritmo com uma fragrância surpreendente, se considerarmos o seu percurso no campo da perfumaria marcadamente tradicional e clássica, ainda que com perfumes extraordinários como é o caso de L’Eau Ambrée para homem.

Este é, talvez, o mais feminino entre os femininos da marca. E se alguns se podem deixar levar por uma certa ideia de que o caramelo, matéria mais evidente e distintiva nesta composição, o pode posicionar para um target mais jovem do que o habitual, acredito que este é um perfume para a mulher activa, na casa dos quarenta, que perante esta nova proposta seguramente vai vibrar com a força e magia de PRADA CANDY. Um perfume para alguém que sabe  o que quer e gosta de o mostrar. Não tem provas a dar, mas sim um caminho a seguir, com atitude e segurança.

PRADA CANDY não deixa ninguém indiferente á sua passagem.

Pela sua composição, esta nova bomba olfativa é um instantâneo de sedução, charme e alegria. Uma explosão adocicada de feminilidade, onde mais é mais e o excesso é tudo.

Um  perfume para quem vive a vida intensamente e sem limites ou preconceitos, estruturado em três layers que se articulam na perfeição.

O mais evidente é o caramelo que se destaca no primeiro contacto e perdura. Doce, provocador e viciante, o caramelo sintético é simultaneamente divertido  e cromático, Este é um perfume bastante colorido e feliz.

Segue-se o benjoim do Laos, aqui numa concentração bastante incomum de 12% e que dá corpo e riqueza á fragrância. Proveninente da árvore Styrax, o benjoim é uma matéria resinosa viciante e muito aromática. Intensa, sensual, quente, ligeiramente balsâmica e com notas de baunilha e mel. É por natureza uma matéria gulosa que casa na perfeição com o caramelo, igualmente forte e presente. No final, um cocktail de almíscares trazem a sustentação necessária, sedosa mas segura,e reforçam o carácter e atitude da fragrância.

A campanha de lançamento é protagonizada por Léa Seydoux, uma jovem estrela do cinema francês, que aqui protagoniza o papel de uma jovem estudante de piano impulsiva que seduz o seu professor e termina com a dança Apache, muto famosa no início do seculo passado pelos gangues de rua em Paris. Uma dança intensa, e que expressa a batalha primitiva da paixão entre um homem e uma mulher, muita vezes ganha pela mulher.

Por fim, a embalagem. Inspirada nos produtos de beleza dos anos 50, PRADA CANDY é impossível de ignorar pela sua forma invulgar e perfeita. Um objecto que apetece sentir, antes de se descubrir o liquido maravilhoso que transporta.

Esta é uma proposta com assiantura PRADA. Ousada e inconformada, PRADA CANDY é uma composição diferente e que merece ser conhecida.

QUEM SABE, SAAB!

Se o nome não lhe diz nada, deixe-me fazer uma pequena introdução antes de lhe apresentar uma das melhores propostas femininas da rentrée. Nascido em Beirute em 1964, desde a sua infância sempre surpreendeu com as suas criações. A primeira, aos nove anos,  quando criou um vestido para a sua irmã mais nova. Aos poucos e com muito trabalho e dedicação,  Saab construiu o seu império de fãns, graças aos seus vestidos de extraordinária feminilidade um pouco por todo o mundo.

O mernino mimado do Líbano, hoje símbolo nacional da modernidade, elegância e empreendedorismo, é o couturier oficial de inúmeras princesas e muitas celebrities internacionais como Hale Berry ou Céline Dion, que desfilam os seus modelos de alta-costura sobre a passadeira vermelha  de oriente a ocidente.

Elie Saab é um criador incomum e instintivo. De tal forma, que o criador ajusta as suas criações a cada silhueta e faz o drapeado no tecido, directamente sobre o corpo, sem esboço nem padrão, numa constante obsessão de sublimar as suas curvas e de “injectar beleza” na vida das mulheres.

Alguns dirão que Elie Saab é mágico. O que lhe posso dizer, é que para além de serem vestidos excepcionais, cada vestido ajuda a cumprir o sonho de cada mulher: ser uma princesa. Seja no dia do seu casamento, , numa gala de prestígio ou sobre uma passadeira vermelha em qualquer parte do mundo.

Em 2011 mais um marco no seu percurso, depoisd e em 2005 ter criado a sua linha prét-à-porter. A magia, elegância e feminilidade convertem-se em liquido precioso e, depois de muito trabalho com Francis Kurkdjian, Elie Saab Le Parfum ganha o brilho e luminosidade merecida.

A sua ambição era clara, Kurkdjian deveria interpretar a luz e as sensações que o seu brilho produz numa mulher, numa clara analogia ás suas criações. E conseguiu! Elie Saab Le Parfum é um perfume belo, ultra-feminino e com uma luminosidade ímpar. Não é mais um perfume para o Outono que aí se aproxima. Conheci este perfume horas antes de embarcar par auma viagem a Moçambique e confesso, agora Sónia, que não resisti a ir porque sabia ser difícil não chegar a uma criação especial, quando se juntam dois nomes tão grandes como Elie Saab e Francis Kurkdjian [já aqui escrevi que F.K. é um dos mais importantes, ousados e criativos perfumistas da sua geração].

E se nos últimos anos, temos vindo a conhecer excelentes perfumes femininos, Elie Saab Le Parfum não lhes fica atrás. Com um equilíbrio perfeito entre aluz do oriente e a modernidade do ocidente, este perfume traduz com fidelidade e sem ostentação, os códigos da Casa de Alta-Costura.

Elie Saab Le Parfum é um perfume brilhante. Desde logo pela flor de laranjeira, aliada a pétalas de flores frescas e aromáticas do mediterrâneo, que nos incitam à descoberta deste “floral luminoso amadeirado”. Á medida que o sentimos, outras notas revelam-se e envolvem-nos num ambiente mais sensual, confortável e sedutor, pela presença do patchuli e do jasmim de sambac que centra e clarifica estarmos perante um elegrante e sofisticado floral.

O final é ranquilo e voluptuoso, com várias madeiras em evidência, com destaques para o cedro que docemente se deixa seduzir pelas vibrações florais e pelo mel de rosa, uma matéria-prima rara e aqui com um papel interessante neste perfume.

O final é como qualquer conto de fadas ou princesas. Feliz!

Quando o clássico se torna moderno. Esta podia ser a assinatura de Colonia Assoluta de  Acqua di Parma. Lançada pela primeira vez em 2003, Colonia Assoluta é, desde então, uma  referência nas colónias. E se a primeira colónia foi criada há 95 anos, a herança desta e  o desenvolvimento que a perfumaria tem conhecido, tudo contribuiu para que passado este  tempo, o produto final seja seguramente bem mais interessante que o seu antecessor.
Quanto a Acqua di Parma e Colonia Assoluta, o que se pode dizer é que estamos perante uma fragrância que se inspira honestamente na colónia original, com a elegância chic e autenticidade italianas, concebida para viver á margem das modas e tendências da perfumaria.
Colonia Assoluta é uma colónia intemporal masculina perfeita, com um estilo italiano clássico e, ainda assim, moderno. Esta nova fragrância destina-se a todos os homens com uma atitude própria e segura, que não se deixam seduzir por modas efémeras, mantendo-se fiéis aos seus gostos e estilos.
Uma fragrância especial e uma extensão das suas opções como o carro que conduz, a caneta que o acompanha desde sempre e com a qual escreve diariamente ou a casa onde vive, Colonia Assoluta é, entre as colónias de Acqua di Parma, o retrato sensorial de um homem eclético, criativo e com curiosidade pelo mundo. A sua visão sobre este reflete um humanismo contemporâneo, cujo centro é a pessoa e o seu valor. Um homem que tem presença,
que quer ser atrevido, mantendo sempre o gosto e o equilíbrio. Com uma elegância instintiva, ligeiramente informal, dá atenção aos detalhes não deixando nada ao acaso.
Quanto á fragrância, Colónia Assoluta, é uma vibrante sinfonia que joga com a estrutura clássica da colónia, ganhando corpo com uma composição absolutamente inédita. Um perfume sofisticado e contemporâneo, extraordinariamente rico em matérias-primas de que se destacam a revelam em diferentes momentos após o contacto olfactivo.
O início é, como não podia deixar de ser, fresco e aromático. Através da bergamota da Calábria, em conjunto com a verbena, temos o arranque clássico da colónia, com a atitude certa.
Seguem-se um bouquet de flores em que se destacam o jasmin e a rosa, sem excessos mas com bastante equilíbrio e beleza apenas destabilizados e bem pelo pimento que reforça o lado seco e aromático da composição.
O final termina com a referência a madeiras claras nobres, com destaque para o cedro americano, o âmbar e o patchuli, este últimos conferindo um lado mais sedutor e envolvente no final desta história.
Esta nova edição limitada de Colonia Assoluta, chega-nos num frasco com um design próprio e exclusivo e numa embalagem que presta homenagem ás icónicas caixas de chapéus Acqua di Parma, com uma abertura vertica. Um objecto perfeito e que apetece ter, para alem da fragrância que apetece usar sempre.

Já aqui escrevi que o fascinante mundo dos perfumes é diariamente enriquecido por marcas ou lançamentos de perfumes fora do mainstream. Marcas de nicho ou que pela sua atitude, ambição e posicionamento fazem um caminho próprio sem seguir obrigatoriamente o mesmo que os grandes agentes e marcas ditam como tendência. O caminho é obviamente mais livre e permite o aparecimento de excelentes propostas, altamente criativas e especiais.

Uma marca que desde o seu lançamento acompanho com especial interesse é JULIETTE HAS A GUN, fundada por Romano Ricci, em 2006, e que nas primeiras duas criações teve como perfumista Francis Kurkdjian. Uma marca com uma história bem contada, com propostas bastante originais e sempre distribuída com um critério próprio de não massificação. Por essa razão, os distribuidores e locais onde se pode comprar estes liquidos preciosos acabam por ser objecto de uma escolha criteriosa pela Marca. Em Portugal é possível encontrar na Perfumes & Companhia, a mais importante rede nacional de perfumarias que além da comercialização de todas as grandes marcas de perfumes tem feito, também, um trabalho meritório de representação de marcas como esta ou ANTHONY, uma marca de cuidados para a pele masculina de extraodinária qualidade.

Através de cinco propostas originais, JULIETTE HAS A GUN posiciona cada criação como uma arma de sedução, inspirada na heroína Shakespeariana.

Antes de falarmos sobre NOT A PERFUME, o mais recente lançamento, passemos em revista as quatro anteriores criações.

CALAMITY J. É uma fragrância masculina “exclusivamente dedicada às mulheres”, muit sensual e insinuosa em que se destaca o patchuli, lírio, âmbar e almíscar.

MISS CHARMING é uma proposta provocadora, doce, elegante e sensual, com uma rosa marroquina encantada, almíscares e frutos silvestres.

CITIZEN QUEEN é uma proposta bela, singular, misteriosa e viciante. Composta por 133 ingredientes diferentes é um perfume altamente complexo e carregado de referências olfactivas, destacando-se o couro, almíscares, láudano, lírio e âmbar.

LADY VENGEANCE é uma fragrância marcante, rica, sofisticada, sensual e muito elegante, em que se destacam a rosa búlgara, patchuli e baunilha.

E se as primeiras quatro propostas já eram intrigantes e especiais, eis que surge agora NOT A PERFUME, uma composição cujo ponto de partida é um único ingrediente, o cetalox, também denominado ambrox, uma matéria-prima desenvolvida em laboratório, que veio substituir o âmbar cinzento natural (uma secreção natural do cachalote muito rara), uma molécula incontornável na perfumaria. E se em grande parte das vezes o cetalox é utilizado como nota de fundo para prolongar a representação olfactiva de um perfume ou trazendo ao perfume um certo aveludado e sensualidade, em NOT A PERFUME, este assume-se como ponto de partida para uma bela proposta e que, como comprovei, não deixa ninguém indiferente à sua passagem.

NOT A PERFUME é intenso e arrebatador sem ser ostensivo. É complexo nas referências, mas simples na composição, denotando-se notas almiscaradas e amadeiradas, com uma sensualidade muito própria.

Porque a composição é estritamente molecular e feita a partir de um único ingrediente, tem a vantagem de não ter alergénicos, respeitando mesmo a pel mais sensível.

NOT A PERFUME é uma fragrância minimalista, elegante e transporta-nos para o território dos perfumes sem fronteiras ou limitações. Um espaço de criatividade e exploração de novos territórios olfactivos que conduz á excelência. Prova disso, o special prize of the board da Parfum 2011, promovido pela The Fragrance Foundation.

É Primavera. Se restassem dúvidas, com o lançamento de Carolina Herrera L’eau elas deixaram de existir.

Feche os olhos e imagine…Num dia de sol luminoso e de alegria contagiante, um pic-nic cheio de classe. Num campo rodeado de mil e uma flores e algumas árvores, um pano florido e colorido serve de base para um cesto enorme de verga. No seu interior, impecavelmente arrumados com cintos de pele e fivelas douradas, os pratos, os talheres, os copos, uma garrafa de vinho branco fresquissima e as delícias preparadas para uma tarde bem passada. O tempo passa devagar e em cada momento descobrimos o aroma desta ou daquela flor, quando não estamos simplesmente distraídos com as borboletas que nos rodeiam numa dança mágica e hipnótica.

Este é um ambiente possível da nova proposta de Carolina Herrera, um perfume feliz e muito feminino.

Carolina Herrehra L’eau tem a essência e consistência da restante família de perfumes CH. Todos os perfumes têm uma história, uma base real como ponto de partida….Desde os 7 amigos que inspiram pela sua personalidade (CH Man) ou o ambiente exclusivo e frenético de uma Nova Iorque que não dorme vivido por personagens únicas (212VIP), todos estão relacionados com as referências e o ambiente Carolina Herrera.

Neste caso, as flores e o fascinante universo da vida ao ar livre, para as mulheres que não passam sem um perfume delicado e fresco.

Loucura floral é o conceito de Carolina Herrera para esta fragrância, em que as flores são as únicas protagonistas e que se nos apresentam na decoração, na roupa, nos jardins, nas ruas, no acessórios, enfim, por todo o lado.

Mas se pensa que CH L’eau é um floral e nada mais, está enganada. Esta fragrância é uma homenagem a esta família olfactiva incontornável na perfumaria e que nos surpreende pelo equilibrio, frescura e alegria que inevitavelmente evoca.

Tendo por base um estilo de vida em que tudo está marcado por flores, CH L’eau é divertido e muito elegante. Sem normas estabelecidas, o seu aroma é especial e com a classe que CH nos habituou, embora neste caso numa vertente um pouco mais excêntrica e informal que o habitual, facto que na minha opinião advém da composição floral conter algumas flores de citrinos e outras surpresas que de seguida desvendo.

O início é citrino e radioso, em que destacam as flores de limoeiro, de laranjeira e de bergamota. Um cocktail citrino explosivo e extraordinariamente fresco. Seguem-se  a original e subtil fresia e a osmanthus, uma flor especiada e frutada, pela faceta olfactiva próxima do pêssego.

As flores estão por todo o lado, e por aqui continuamos a descobrir esta fragrância que nos revela uma violeta bem articulada com o sedutor jasmin, o delicado lírio do vale e a heliotrópio, com as suas facetas de amêndoa, baunilha e mel. Por fim, a fresca e aromática flor de loureiro, em conjunto com a flor de canela, quente, luxuriosa torna a fragrância mais apetitosa, que se fecha com a flor de macieira, que aqui se apresenta discreta e com a flor de sândalo mais envolvente e cremosa.

Por tudo isto, CH L’eau é uma excelente proposta floral, fresca e alegre, como contraponto a este tempo que se vive de incerteza a precisar de uma boa mudança.

Vinho e perfumes têm muito em comum e se há marca que mais de quinze anos não só tem a consciência como a capacidade de reforçar essa aproximação é a Caudalie.

Numa quase obsessiva procura de novas soluções, inovadoras, em torno da uva, a Caudalie tem vindo a desenvolver produtos naturais, com inspiração na vinha.

Desta vez, convidam-nos a um passeio pelas vinhas ao longo do dia, através de 3 criações diferentes, cada uma delas representando um momento do dia.

Da mesma forma que a vinha ganha diferentes cores, texturas e ambientes ao longo dia, três novas eau fraîche agora reveladas, traduzem esses momentos, transportando-nos para um universo intenso e envolvente. Fleur de Vigne, Zeste de Vigne e Thé des Vignes são um convite a uma viagem imaginária a um universo delicado, com o vinho e a vinha daSmith Haut Lafitte como elemento central e que também serviu de base para uma operação muito bem sucedida de SPA’s, com extensões em inúmeros países.

Comecemos por Fleur de Vigne, uma composição que nos apresenta o início do dia deuma forma vibrante e intensa, pela inspiração na flor da vinha que marca, com a antecipação milimétrica de 100 dias, o início das vindimas. Uma flor bela e premonitória com notas de rosa branca, do acre do de espinheiro e da pimenta rosa. A vitalidade da toranja e tangerina equilibram-se com o cedro que nesta composição se revela denso, embora fresco e presente.

O dia continua e o Zénite revela-se com Zeste de Vigne. Uma proposta radiosa, optimista, como um intenso raio de sol sobre a vinha e a orangerie.

Mas não se pense que ficamos pelos citrinos, com especial destaque para o limão doce e bergamota pontilhados por petit grain. Esta proposta apresentada por um dos mais efervescentes perfumistas da actualidade, Francis Kurkdjian inclui uma selecçºao muito interessante de matérias-primas de que se destacam o patchuli de Java e um conjunto de musgos que lhe dão estabilidade e profundidade. Uma proposta que recomendo par aos dias quentes que aí vêm.

Terminamos o dia em beleza, com o crepúsculo. O final do dia, o momento mágico em que dia e noite se fundem como dois opostos que inevitavelmente se atraem. Thé dês Vignes é uma dedicatória a essa hora  de transição e de fuga, do sol para o outro lado do mundo. Um momento complexo e intenso reforçado por esta proposta que tem no cítrico neroli, no gengibre e no almíscar branco a base para uma felizfragrância em que não deixamos de sentir a flor de laranjeira, mas também o jasmim que a torna mais sedutora, envolvente e charmosa. Uma fragrância que desafia o mais timído a um abraço, a um encontro como o momento do dia que retrata e procura encapsular.

Uma colecção que merece ser conhecida pela proximidade do tempo e do que este evoca ao longo do dia.